“Legalizando o Voto” – Com o Profeta Verde

Não tapa, mas Chapa

hempadao 1 outubro, 2016

“Não Tapa, Mas Chapa – Por Michael Meneses

O Único Maconheiro do Mundo que não Fuma Maconha”
Em: “Legalizando o Voto” – Profeta Verde

Chegamos a nossa última entrevista na Série #Legalizando o Voto. Foi grandioso realizar essas entrevistas com candidatos a vereadores. Foram poucas, mas esperamos ter ajudado ao processo democrático. Desejamos a todos (as) eleições justas!

Advogado em defesa dos usuários e cultivadores da cannabis e participante ativo da Marcha da Maconha na cidade de São Paulo, o Profeta Verde vem candidato a vereador pelo PSOL e nos dá a honra de encerrar as entrevistas com candidatos a Câmara de Vereadores na Série #Legalizando o Voto.

1 – Quem é o candidato Profeta Verde (história e propostas) e por que optou pelo PSOL!?

Proveta Verde: O Profeta é uma semificção política germinada na marcha da maconha e adubada por muitas flores verdes secas. Criar o personagem Profeta Verde em 2011, foi um recurso de comunicação que encontrei para escapar do estigma que envolve a luta pela legalização e, em especial, da carga discriminatória que cada defensor da erva sofre por assumi isso publicamente. Lembrando que em 2011 ainda podia ser considerado crime de apologia falar bem da maconha, e estar por detrás da manta verde e dos dreadlocks do profeta me ajudava a preservar o indivíduo que dava corpo ao profeta. Assim, minha história de profeta está intimamente ligada à Marcha da Maconha, para a qual me dediquei incansavelmente nesses anos todos, sem nunca abandoná-la. Nessa caminhada acabei participando de outras iniciativas cannábicas, sendo as mais relevantes: a fundação da Associação Cultural Cannábica de São Paulo (ACuCa-SP), o EDUCannabis (Escritório de Defesa do Usuário de Cannabis) e o CONNABIS – Congresso on-line sobre a maconha.

Certamente trabalho mais importante que desenvolvi nessa caminhada foi o de advogado dos usuários. Livrar um jardineiro da prisão, ou demonstrar pro juiz que importar sementes de maconha não configura tráfico internacional de drogas é o que me dá mais tesão. E esse trabalho não pára, a cada semana recebemos notícias de novos usuários que são presos acusados de tráfico por ignorância ou má-fé da polícia e do judiciário. Escolhi o PSOL porque é um partido que defende claramente a legalização das drogas e, dentre os que estão participando do jogo político, um dos poucos que ainda preserva alguma dignidade em suas opções de coligação, não fazendo qualquer acordo pelo poder e mantendo uma atuação parlamentar extremamente ética, sem qualquer envolvimento em casos de corrupção… Enfim, é um partido que dá pra apostar, assim como para o PSOL a maconha é uma causa que dá pra apostar. Aí deu jogo!

2 – Você tem formação academia no campo do Direito e já atua nessa área auxiliando casos de usuários que tem problemas com a lei. Com uma possível vaga de vereador, o quanto seria possível ampliar esse serviço?

Profeta Verde:  Com os recursos de um mandato podemos intensificar esse trabalho de assistência jurídica aos usuários, fortalecendo a rede de advogados que se cuidam desses casos e promovendo eventos de formação para estudantes de direito, de forma a cativar neles o interesse de se especializarem no assunto e futuramente integrarem a rede. São milhares de processos de tráfico que precisam ser analisados, comparados, para entendermos como estão sendo construídas as decisões que hoje condenam ou absolvem os usuários. É muito trabalho para uma equipe atualmente muito reduzida.

3 – Nós do Hempadão sabemos que um vereador, assim como diversos políticos, pouco podem fazer sobre a descriminalização da maconha, mas que todo ser humano pode fazer algo em prol do fim do preconceito e discriminação para usuários de cannabis e outros grupos que sofrem preconceitos de ideias. O que o candidato Profeta Verde e o PSOL podem e pensam fazer sobre essa questão!?

Profeta Verde: De fato no cenário político atual, considerada a composição de forças nos parlamentos que são dominados por forças conservadoras, pouco pode ser feito por um candidato isolado ou por uma bancada tão reduzida como a do PSOL. Neste tema estamos anos-luz a frente de outros partidos. Nossas propostas são sempre rechaçadas quando postas em votação e acabam servindo mais para esquentar o debate do que efetivamente concretizar uma mudança na lei. Veja o exemplo do projeto do Jean Wyllys que deverá tramitar por uns 10 anos até que a o congresso esteja minimamente aberto para votar esse projeto, e ainda assim com emendas que se certamente reduzirão em muito o alcance da proposta inicial. Embora seja um trabalho de água perfurando a pedra, precisamos ser persistentes. Não tenho a ilusão de que, ainda que venha a atuar no congresso nacional, conseguiríamos nos próximos anos aprovar uma lei que legalize a maconha numa amplitude do que foi feito no Uruguai, por exemplo. Daí entra essa questão do trabalho cotidiano de normalização da maconha, através da promoção da cultura cannábica e da apresentação dos aspectos positivos do uso da planta, desde seu uso medicinal, espiritual e artístico até o seu proveito para as indústrias das fibras, do papel, de óleos e alimentos que se podem obter da semente da cannabis. Com relação ao preconceito, que vem bem antes disso, o que podemos fazer é desmistificar o terror que foi criado em relação aos malefícios da erva. Sim, é claro que há malefícios decorrentes de um uso abusivo, como tudo nessa vida – do sexo ao dinheiro e devemos também nos apropriar desse discurso, apresentá-lo com sensatez. Mas sempre pontuar que não é a proibição e o terror que ajudarão nos casos mais graves de dependência, que são sempre minoria. A proibição influi na vida de milhares de usuários, pelo menos 90 % do total de usuários, que fazem um uso aceitável da maconha, sem qualquer sintoma de dependência, sem incomodar a terceiros e sem graves prejuízos pessoais em suas vidas (a não ser aqueles decorrentes da própria proibição por serem considerados criminosos). Precisamos apresentar essa realidade pra sociedade que foi iludida por décadas de propaganda estatal contra a maconha. E isso fazemos com a promoção da cultura cannábica, fortalecendo a mídia cannábica independente, criando associações de usuários, realizando congressos e debates sobre a maconha. É um trabalho cultural que levará anos para alimentar a sociedade com a informação capaz de conduzir os políticos a mudança da lei. Lembrando que aqui no Brasil só pudemos começar a falar abertamente sobre a maconha – sem o risco de sermos acusados de apologia ao crime – a partir de 2011, então o debate no país ainda está engatinhando e levará alguns anos para chegar à maturidade necessária para a legalização mais ampla da maconha.

4 – Na sua opinião quais drogas podem ser legalizadas e quais não deveriam ser legalizadas?

Profeta Verde: Na minha opinião todas podem, devem e serão – mais cedo ou mais tarde – legalizadas. Mas é claro que cada uma delas terá seu tempo e sua forma de acontecer. Não adianta querer colocar todas no mesmo balaio e reivindicar uma legalização total e imediata para todas as drogas atualmente ilícitas. Isso não vai acontecer. É preciso levar em consideração a relação da humanidade com as diferentes substâncias “mágicas” ao longo da história e como elas sempre sofreram resistência por conta do medo que causam. Maconha, cocaína, LSD, ecstasy, ayahuasca, heroína… são “drogas” tão poderosas como rivotril, ritalina, morfina, álcool, café, açucar entre outras legalizadas. Embora todas possam causar problemas, sabemos que a proibição que recai sobre algumas só agravou o problema com seus usuários, tornando elas mais populares (pelo efeito do fruto proibido) e de pior qualidade, redobrando o impacto na saúde pública, agora não só pelos efeitos adversos de seu uso mas também pelo assassinato mútuo de traficantes e policiais nessa imbecilidade chamada de “guerra às drogas” – um verdadeiro genocídio de pobres legitimado pela lei. Para entrarmos na questão do tempo e da forma como cada droga será legalizada, acredito que o primeiro passo e o mais seguro para amadurecer o debate sobre os benefícios da legalização das drogas se apresenta com o caso da maconha. A mudança já começou pelo urgente uso medicinal da planta e seus casos dramáticos de melhoria na saúde desses pacientes. Agora devemos insistir na regulamentação do cultivo, em diversas escalas, começando pela cultivo para a pesquisa científica – que já está em vias de acontecer -, cultivo própria para o uso medicinal e recreativo individual, cultivo coletivo para o uso religioso… tudo isso nos próximos anos 10 anos talvez. Mais pra frente conseguiremos a liberação de cultivos cooperados e para fins sociais e econômicos, para então a gente sentir durante alguns anos o impacto dessa legalização da maconha, e quem sabe daqui 20 anos começar a aprofundar mecanismos de regulamentação de outras drogas ainda mais demonizadas como a cocaína, o LSD etc. Vai ser um processo bem lento.

5 – Deixe sua mensagem final dizendo o por que o eleitor deveria votar no Profeta Verde como vereador do Município de São Paulo?

Profeta Verde: Votar 50 4e20 em São Paulo ou em qualquer das 16 cidades em que temos candidatos da Bancada da Maconha é fazer desse instrumento chamado voto mais uma arma da luta pela legalização da maconha no Brasil. Elegendo vereadores cannábicos damos um gás pra esse processo de normalização da erva que tende a levar tantos anos mais quanto menos vozes tivermos na política defendendo a legalização. Colocar o Profeta na câmara de vereadores de São Paulo vai acender o debate sobre a maconha na cidade, e com isso vamos fazer a cabeça do povo de que é chegada a hora de superarmos o medo e confiar que a maconha é a cura para a vida insana que levamos nessa megalópole. Agradeço aos amigos do Hempadão pelo convite pra entrevista e sigo aqui na torcida do verde para a gente consiga ao menos 50.420 votos para a nossa Bancada da Maconha. Saudações cannábicas a todos os leitores do blog e nos vemos domingo nas urnas, pra digitar 50420, apertar o verde e confirmar mais um voto pela legalização da maconha no Brasil.



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