Fumando maconha na vida real

Chapa2

hempadao 7 novembro, 2017

por S. M. Hermes

Conforme citei de forma resumida nos textos anteriores que o ato de fumar maconha carrega consigo o estigma de tabu perante a sociedade contemporânea em geral, nessa oportunidade vou falar sobre minha experiência com o consumo da “droga” dentro de uma rotina que envolve obrigações de um trabalho formal acompanhadas pela finalização de um curso de graduação.

Contextualizando a situação: fumo maconha desde 2009; comecei a cursar Jornalismo em 2011 após quatro semestres de Engenharia Civil — que foi escolhida no susto com a finalização do ensino médio em 2008; e trabalho como bancário desde o final de 2012 ­— antes trabalhei por três anos em uma empresa de tecnologia e gestão. Portanto fumar a erva e viver uma ‘vida normal’ é minha realidade há bons oito anos.

Me formei em Jornalismo ao final desse primeiro semestre de 2017, quando cursei 5 cadeiras sendo uma dessas a do TCC, famoso trabalho de conclusão de curso, além do estágio curricular obrigatório. Obviamente o tempo ficou escasso e os finais de semana passaram a praticamente não existirem, mas nada impossível de lidar e conviver. Acredito que isso se deu muito em função do fato de eu ser considerado pela OMS um usuário pesado de maconha já que a consumi diariamente durante o último mês (e vários anteriores também).

Sempre tive em mente que no meu caso a maconha (além do barato) funciona como uma fuga de realidade, uma válvula de escape onde tudo é mais plausível, aceitável e até mesmo digno de um aproveitamento pleno — rotina de trabalho inclusive. Percebo nitidamente uma diferença de humor e a maneira que lido com o mundo quando estou de cara ou chapado, pois fico mais paciente, simpático e extrovertido, ou seja, me torno uma pessoa muito melhor para mim e para os outros quando sob o efeito da Cannabis.

Assim desmistifiquei e aniquilei qualquer resíduo que tivesse permanecido no meu subconsciente do estigma popular que taxa os maconheiros como hippies vagabundos que não querem nada com nada, e sim apenas ficarem chapados e baterem uma larica no fast-food mais próximo. Acredito que a máxima popular “toda regra tem sua exceção” poderia ser aplicada ao meu caso, porém prefiro crer na possibilidade dos indivíduos serem livres independentemente dos estereótipos preestabelecidos pelo coletivo.

São poucos os que estão preparados para digerirem e compreenderem determinadas verdades — vide reações de maiorias em relação ao consumo de drogas até a opção sexual de minorias — e quando sua luz começa a escurecer e apagar-se pela negligência desses muitos, é necessário o empenho de poucos para que se mantenha acesa Lâmpada Perpétua da Sabedoria. “Os lábios da Sabedoria estão fechados, exceto aos ouvidos do Entendimento.”



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