Eu uso Drogas – E vocês?! [Uma reflexão que precisa ser compartilhada!]

Fumosos

hempadao 16 março, 2013

por Tico Santa Cruz

 

Muito tem se falado sobre DROGAS nestas semanas que passaram. A pedido de um jornal universitário (MUNDO UNIVERSITÁRIO) que será distribuído na semana que vem em SP escrevi um artigo chamado: EU USO DROGAS.

O assunto é sério e espero que quem estiver disponível para o debate, se de ao trabalho de LER TUDO QUE ESCREVI.

VAMOS SER HONESTOS???????? 
COLOQUE A CARA PRA BATER.

Eu uso Drogas

Nesse momento escrevo sob o efeito de drogas.
Um remédio tarja preta receitado por meu psiquiatra que me auxilia junto com a terapia no controle de um problema crônico de insônia e ansiedade. Droga esta que só encontro na farmácia e com receita azul, assinada pelo médico responsável incluindo a dose que me pode ser vendida.
Outro dia fiz um show sob o efeito de drogas.

 

Tomei meia garrafa de uísque misturado com energético o que me acelerou o coração.
Entrei meio alto e aos poucos com a adrenalina fui me percebendo em estado alterado de consciência, uma mistura de prazer e relaxamento provocado pelo álcool. Comprado e vendido em qualquer botequim para qualquer pessoa, incluindo menores de idade.

Quantas vezes não fui para academia sob efeito de drogas?
Dessas que se vendem nessas lojas de departamento sem qualquer necessidade de receita médica? Pílulas para tudo, para massa muscular, para dar mais energia, aminoácidos, proteínas, qualquer porcaria. O excesso me levou ao hospital. Tive que me tratar e depois dessa experiência nunca mais mantive o mesmo corpo. Passei a precisar de uma dieta e exercícios constantes para controlar meu peso que aumentou sensivelmente.

Lembro-me quando passei por uma cirurgia e precisei dormir praticamente sentado. O médico me receitou um remédio para dormir que dava uma onda deliciosa. Era para tomar apenas por alguns dias, mas eu gostei. Acabei virando um dependente daquela substância para dormir e comprava na farmácia com receita e tudo. Passei quase dois anos dormindo a base de comprimidos. O sono mais maravilhoso que já tive, mas os prejuízos a minha saúde foram grandes. Passei a não conseguir mais pregar o olho sem remédio e quando decidi que iria largar aqueles tabletes permaneci várias noites sem conseguir descansar. Várias noites sem dormir. Só no quinto dia consegui chegar a um estágio mais profundo de sono e me livrar daquele pesadelo. Antes eu dormia ouvindo tudo ao meu redor e milhões de pensamentos corriam pelo meu cérebro de maneira que meu desejo era bater com a cabeça no chão.

Era muito difícil conseguir, porque remédios controlados não podem ser vendidos por qualquer um e nem para qualquer um.
Os laboratórios faturam milhões, bilhões de dólares com a venda de drogas.
Existem drogarias no Brasil na mesma proporção de Mac Donald’s.
Existem milhares de dependentes químicos que dormem e acordam movidos por remédios, drogas socialmente aceitas. Substâncias que matam e causam transtornos irreversíveis a saúde, como o cigarro, por exemplo, que matam milhões por ano.
Existem milhares de remédios vendidos sem necessidade de receita que misturados com outras substâncias comercializadas legalmente são capazes de levar a mente humana a estágios bem alterados.

A dependência de álcool, nicotina, cocaína, maconha, hipnóticos, ansiolíticos ou qualquer outra substância química varia muito de organismo para organismo e a meu ver deve ser tratada como problema de saúde e não de polícia.
Milhares de brasileiros sofrem desse problema, pouquíssimos tem a chance e o privilégio de encontrar um tratamento real que lhes ofereça uma chance de reabilitação, tanto social quanto mental. Outros muitos nem sabem que tem a doença e outros tantos não revelam por medo do preconceito e da atitude autoritária, discriminatória e burra da sociedade.

Sociedade esta que é estimulada o tempo todo pelos comerciais de TV a consumir a inocente cervejinha, onde mulheres deliciosas e celebridades brindam alegremente uma substância que mata o equivalente a um Holocausto no trânsito há cada dois anos. Que faz parte do cotidiano de diversas famílias e muitas vezes é rito de passagem da adolescência.
Qual é a diferença entre o Álcool e a Cocaína?

A Cocaína está nas mãos de gente que lucra com o tráfico de drogas cifras bilhardárias que compram juízes, deputados, policiais e autoridades em geral. Assim como a Maconha e outros entorpecentes, são substâncias que ao contrário dos remédios fabricados pela indústria Farmacêutica, podem ser plantados, colhidos e vendidos sem controle nenhum, sem encargos e com venda livre em qualquer lugar.

Se eu quiser comprar agora um ansiolítico sem receita, não conseguirei em lugar nenhum. O Controle é rigoroso, porém, se quiser comprar um baseado, basta circular nas esquinas e conseguir. Isto significa o que?

Que ao contrário do que se pensa esquizofrenicamente, as drogas já são liberadas. Rendem por ano no mundo mais de 3 trilhões de dólares, é uma das indústrias mais rentáveis do planeta e esse dinheiro circula por instituições financeiras poderosas, pois não existe 3 trilhões de dólares em moeda corrente. Ou seja… é um mercado dominado por gente influente, importante e que não tem preocupação nenhuma com a saúde da população. Apenas querem manter seus lucros sem precisar passar pelo fisco. Dinheiro esse, que poderia ser revertido para campanhas de conscientização dos jovens, na criação de centros de assistência e tratamento a dependentes químicos e no auxílio das famílias que tratam dessas pessoas.

Drogas como o Crack, por exemplo, que atingem em sua grande parte a população mais pobre, sugerem até um quadro de controle social, pois os miseráveis que se tornam zumbis quando se viciam nessas terrível substância ou morrem por conta dela ou são presas ou assassinadas na busca por seu escape.

O preconceito e a ignorância relacionadas ao assunto dificultam ainda mais um quadro que possa oferecer a sociedade soluções plausíveis.
Pergunto a você, caro leitor:

Quantos dependentes químicos podem de fato abrir o jogo para a família e para os amigos contando com a compreensão, com o respeito para que recebam o tratamento adequado?

Quantos terão acesso a um tratamento que lhes permita uma recuperação digna?
Poucos. Muito poucos.
Talvez aqueles de família rica ou de classe média.
Mas não existem só ricos dependentes químicos.
A dependência não é um fator social, mas o tratamento é.
As oportunidades são.
As abordagens também.
Não adianta dizer que não.
Por isso creio que precisamos rever a forma como encaramos a questão das drogas.

Não estamos falando de substâncias, estamos falando de seres humanos.
Não estamos falando de consumidores de ocasião, estamos falando de pessoas doentes.
Não estamos falando de policia, estamos falando de médicos.
O problema das drogas é de saúde pública e não de policia.
Só é visto e encarado como problema de polícia porque gera lucros para muita gente.

Tem muito político se esbaldando em dinheiro, muita autoridade, muitos poderosos, muitos salários são pagos através da grana do tráfico. Essa abordagem privilegia uma grande corrente de empresários, magistrados, juízes, advogados, policiais, investidores. Privilegia a indústria bélica, privilegia quem sabe o quanto rende financeiramente investir no mercado ilegal, na lavagem de dinheiro. Privilegia a segurança privada, a indústria do medo, que vende carros blindados, grades para prédios, casas e condomínios, entre outros setores. A política de combate às drogas faz com que essa indústria seja uma das mais rentáveis do planeta.

E a ONU já declarou a falência dessa abordagem.
Uma política séria de combate às drogas não se faz com violência e invasão de comunidades carentes. Não se faz com conflitos armados matando inocentes que nada tem a ver com a venda ou consumo de entorpecentes. Não se faz transformando usuários em bandidos.

Uma política séria de combate às drogas se faz com informação, conhecimento, educação, respaldo social aos que desenvolvem dependênci. Se faz com leis inteligentes, coerentes e responsáveis. Com a participação em conjunto da sociedade, das famílias, dos órgãos de saúde.

Quando discutimos a legalização das drogas não estamos defendendo a permissividade e nem o uso indiscriminado em qualquer lugar por qualquer pessoa. Estamos propondo exatamente o contrário. Maneiras eficientes de bloquear o acesso de qualquer um a tais substâncias. Estamos dizendo que quando alguém comete um crime de homicídio e está sóbrio vai pegar 25 anos de cadeia, mas se estiver sob o efeito de qualquer droga vai pegar o dobro, sem direito a benefícios.

Estamos falando de reformular nosso código penal que é velho e deixa brechas demais para quem comete crimes de todos os tipos, principalmente quando se tem dinheiro e se pode bancar bons advogados. A justiça enxerga muito bem e por debaixo da saia no Brasil recebe seus trocadinhos. Sendo assim estamos falando de oferecer de fato uma reformulação estrutural de nossa legislação.

Bandido é bandido, cometeu crime tem que pagar. No entanto aqui estamos falando de pessoas cujo único crime é ter um organismo que se viciou numa substancia química vendida livremente em qualquer lugar.

Quem dera se pobre, viciado sem antecedentes criminais, sem nenhum envolvimento com o crime tivesse assistência do estado e da sociedade para tentar se recuperar com a mesma sensibilidade e com respeito oferecido a pessoas influentes.

Uma sociedade alcoólatra e tabagista, que consome todo tipo de remédio (DROGAS) não pode apontar o dedo para acusar ninguém, pois todos merecem chances iguais e tratamento adequado uma vez que se entenda que o vício é uma doença.

Se necessário for que a família perceba a necessidade de uma internação compulsória, o Estado deve prover condições DIGNAS para recuperação do indivíduo e não apenas fazer propaganda e “limpar” as ruas.

Minha teoria é simples. Desde que proibiram as Drogas e isso não tem nem 100 anos, só privilegiaram aqueles que ganham dinheiro com isso. Quem é contra a legalização e uma legislação que atenda a questão com ações e regras claras e honestas, é a favor do Tráfico.

Você que acabou de ler isso aqui, pode olhar pra dentro de si e dizer que nunca consumiu nenhum entorpecente, Legal ou Ilegal?
Peçam a nossos legisladores um teste toxicológico mensal e vejamos quantos deles estarão limpos realmente para debater o assunto de igual para igual.



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