‘Eu nunca tinha visto meu filho sorrir em cinco anos’, diz mãe após filho usar maconha medicinal

Clipadão

hempadao 16 julho, 2016

Em 1964, quando a comunidade científica começou a estudar a maconha, o pesquisador Raphael Mechoulan extraiu da erva o delta-9-tetraidrocanabidinol, conhecido como THC, o mais importante princípio ativo da planta. A partir daí, o THC foi sintetizado quimicamente e os estudos sobre os efeitos da cannabis sativa (nome científico da erva) no corpo humano não pararam.

Fonte: Estadão

A partir da década de 1970, surgiram os primeiros medicamentos à base do THC sintético, usados principalmente para tratar efeitos colaterais decorrentes dos tratamentos da aids e de câncer. De lá para cá, pesquisas comprovaram a eficácia da erva no tratamento de muitas outras doenças, como epilepsia, em que diminui as convulsões, e Alzheimer e Parkinson, em que é capaz de retardar ou até parar a progressão dos males.

Segundo o neurocientista e membro do grupo Maconhabras da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), Renato Filev, os princípios ativos da maconha podem tratar “dores de origem do tecido nervoso, dores neuropáticas, dores oriundas de espasmos – relacionadas a esclerose e Parkinson – e também para dores de origem de cânceres. Além disso, um importante efeito da maconha é o anticonvulsivante”.

Mãe de Pedro Cavalcanti, um menino de cinco anos que sofre de uma má formação congênita no cérebro, Elaine Cristina, de Recife (PE), ficou sabendo dos efeitos do canabidiol, o CBD, através de um grupo de mães de filhos ‘especiais’ no Facebook. “Uma mãe me perguntou se eu já tinha ouvido falar do remédio da maconha, e eu disse que não. Ela disse que tinha interesse para o filho dela, que tem paralisia cerebral, então eu comecei a pesquisar os benefícios e ver se realmente valia a pena.”

Ela conta que, no mesmo período, uma mãe aqui de Recife conseguiu, via judicial, o CBD para o filho dela. “Através dela, eu conheci o doutor Pedro, um médico do Hospital das Clínicas daqui de Recife, e ele estava receitando. Então eu levei meu filho, ele pegou a documentação, os exames e disse que ele era apropriado para o uso do CBD”, conta Elaine.

O empreendedor e fundador do festival Ganja Talks, João Paulo Costa, de 32 anos, utiliza a maconha diariamente no tratamento da epilepsia há nove anos. “Com uns 23 anos, falando com meu neurologista sobre a possibilidade de usar cannabis, ele disse que não dava para usar no momento. Aí eu fiquei internado por um tempo por conta de uma troca de medicação e, nesse período, eu comecei a usar cannabis todos os dias. Começou como uma coisa recreativa e, depois, se tornou uma coisa medicinal. Consegui reduzir a quantidade de um remédio que tomava todos os dias e, a partir desse momento, minha vida mudou”.

Filev diz que, por ter a característica de relaxar, de atenuar as atividades cerebrais, “o CBD e o THC podem ser utilizados como anticonvulsivantes potentes e com efeitos colaterais muito diminutos, não são tão graves quanto os outros anticonvulsivantes oferecidos no mercado. O que as mães geralmente oferecem para seus filhos é, na prática, uma mistura, um extrato preparado das flores das cannabis, que oferecem um arsenal fitoterápico, porque são vários princípios ativos”.

Elaine conta que seu filho passou de 24 convulsões todos os dias antes do CBD para cerca de quatro por semana. “A gente tentou dez tipos de medicação e nenhuma fez efeito. Foi quando eu cheguei para a médica dele e disse: ‘Eu quero usar o CBD’. Então a gente testou, viu quais eram os benefícios e começamos a usar o CBD. Eu nunca vi o meu filho sorrir nesses cinco anos. Depois do CBD, meu filho sorriu pra mim. E toda mãe quer ver seu filho sorrir, né?”.

Costa diz que, antes de usar a maconha diariamente, através do fumo, dormia num quarto blindado de áudio e luz, tinha que dormir e acordar no mesmo horário, não podia ingerir bebida alcoólica, Coca-Cola, nada que fosse estimulante, tinha uma vida muito regrada. “Depois da maconha, minha vida mudou completamente, eu consegui fazer tudo, consegui ter uma vida normal.”

Além dos controles das convulsões, a maconha ainda tem muitos outros usos, como o médico explica: “De acordo com questionários respondido por um amplo número de pacientes, a erva vem mostrando bons resultados no tratamento do estresse, ansiedade, pois tem um potente efeito relaxante, de forma que relaxa o corpo e também acalma a mente, além de ser utilizada para indução de sono em casos de insônia”.

É o caso de Marcia Renata Verly, de 20 anos, de Vila Velha, que usa a maconha para aliviar o estresse e conseguir dormir melhor. “Quando eu fico nervosa, eu fico toda roxa, com dores. Eu fui ao médico há alguns anos por conta da ansiedade e ele me disse que eu só não estava pior justamente porque eu fumava maconha. Então ele me perguntou se eu optava pelo remédio para ansiedade ou pela maconha, aí eu optei pela erva e continuo fumando até hoje”, lembra.

Além das dificuldades em conseguir remédios à base de canabidinóides, o preconceito agrava ainda mais a vida de quem depende deles para a saúde. “As pessoas têm medo, não têm informação, muito por conta de algumas campanhas negativas que já foram feitas sobre essa substância”, diz João Paulo. Verly concorda, e desabada: “As pessoas não têm uma cabeça aberta ainda para isso”.

Questões legais. O cultivo e a venda da maconha são proibidos no Brasil. Desde março deste ano, porém, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a prescrição e a importação de medicamentos com canabidiol e/ou tetrahidrocanabidiol. O processo, porém, é burocrático e os custos são altíssimos.

João Paulo conta que fez o pedido para a Anvisa recentemente: “Eu quero fazer o tratamento com o CBD, agora estou com um médico especializado que vai fazer o tratamento comigo. Eu vou importar a medicação e tomar certinho todos os dias, para ver o que vai mudar na minha condição de epilepsia. Fumar a cannabis relaxa e diminui as convulsões, mas não é a maneira ideal pois não dá para saber quanto de CBD e quanto de THC tem na erva”.

O empreendedor solicitou três frascos de remédio à base de canabidiol, e cada um custa cerca de 300 dólares. No caso de Elaine, ela conta que fez o pedido na Secretaria de Saúde de Pernambuco, que foi negado. Ela então pegou a negativa e agora vai até o Ministério Público para tentar conseguir a medicação via judicial. Enquanto não consegue o deferimento do pedido, outra mãe de Recife, que obteve o CBD após processo na Justiça, cede o remédio para Pedro.

O caso de Pedro, semelhante ao de muitas outras crianças, mostra a urgência do composto da maconha em seu tratamento. “A pediatra do Pedro me disse que a má formação dele é tão grave que era para ele ter morrido ou estar vegetando.  E, em menos de um mês depois de ter começado a usar o CBD, ele começou a rolar na cama, dormir nos horários certos, o organismo aceitou muito bem e ele não teve efeitos colaterais ainda”.

Para que a Anvisa libere a importação,são necessários diversos documentos e exames que comprovem a necessidade dos componentes THC e CBD, com as quantidades especificadas para cada caso. Segundo uma resolução do Conselho Federal de Medicina, apenas  neurologistas, neurocirurgiões e psiquiatras podem prescrever os remédios à base de maconha.



2 respostas para “‘Eu nunca tinha visto meu filho sorrir em cinco anos’, diz mãe após filho usar maconha medicinal”

  1. John disse:

    fiquem tranquilas que agora que voces nao conseguem MESMO.
    com os reaças no poder, maconha = droga pesada. Já era.

  2. Diogo disse:

    Infelizmente o pt ficou muitos anos onde não devia e acabou com Brasil …. Agora é hora da mudança . Mãe q presizar do cbd fiquem tranquilas…..

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