Entrevista com Mercedes Ponce León, porta-voz da ExpoCannabis 2017!

ConverSativa

hempadao 4 novembro, 2017

Tivemos a honra de entrevistar Mercedes Ponce de León, porta-voz da ExpoCannabis do Uruguai, um evento que conta com relevância internacional! Esse ano o Hempadão vai marcar presença na Expo e você pode ir junto com a gente. Pra isso, basta comprar seu pacote turístico pelo link da Ganja Tours. Lembrando que se você usar o código HEMPADAO vai rolar 5% de desconto no preço total, sem falar nos brindes exclusivos pro nosso bonde. Pra galera já ir se acostumando com o clima, saca só nossa conversa com uma das figuras por trás desse movimento que vai levar Montevideo à três dias de muita função e fumaça:

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1) São quantos anos acompanhando a questão de política de drogas pelo mundo? Conta um pouco dessa experiência pra gente…

Desde 2004 comecei a militar nas juventudes políticas da Frente Ampla em prol da legalização da maconha. Eram anos nos quais o tema era um tabu e o slogan era “basta de hipocrisia”. No Uruguai é legal consumir drogas desde a década de 70, no entanto não se podia comprar, vender, produzir ou possuir, não estava estipulada uma quantidade considerada para consumo pessoal então se criminalizavam os usuários de drogas e sobretudo os jovens.

2) Desde quando está trabalhando na organização da Expocannabis no Uruguai e como tem sido a evolução do evento?

Uruguai Siembra desde 2014 organiza a Expocannabis Uruguai, a plataforma de comunicação e articulação mais importante da cannabis no país acompanhando a regulamentação, sua aplicação e o desenvolvimento de um novo enfoque das políticas públicas. É uma conquista que levou anos de gestão e trabalho por parte de toda sociedade uruguaia.

A Expocannabis Uruguai nasce do reconhecimento das potencialidades medicinais, terapêuticas e industriais da cannabis. Facilita o acesso à informação e é uma ferramenta de articulação da indústria a nível nacional e internacional. Desde a primeira edição até agora cresceu exponencialmente como a indústria da cannabis. A participação dos agentes estatais a transforma em um evento único deste tipo a nível mundial. É a mostra mais legítima do fim do proibicionismo da cannabis.

A Expocannabis Uruguai é testemunha dos avanços da Regulação da Cannabis que funciona in situ durante os três dias de evento. Nos stands do Instituto de Regulação e Controle da Cannabis e nos correios os auto-cultivadores e consumidores de farmácias podem se registrar para ter acesso à cannabis legalmente.

3) Como é, hoje, o panorama da militância canábica no Uruguai?

A militância cannábica nacional já passou por várias transformações desde que a lei foi votada. Hoje há muito trabalho nos clubes de cannabis e um foco na luta pela cannabis medicinal que, apesar de ser regulada há quatro anos ainda não se avançou muito nesse aspecto. Outra coisa que agistou os militantes ultimamente foram os problemas com o sistema bancário.

Porém, além da cannabis em si, a temática das drogas segue sendo importante para seguir trabalhando e desenvolvendo. Os consumos mais problemáticos da nossa sociedade não são por causa da cannabis mas sim por outras substâncias mais perigosas e tóxicas. Devemos continuar a fornecer insumos e informações de qualidade para avançar nos debates sobre drogas e desenvolver uma maior prevenção, educação e pesquisa nessa área.

4) O que a galera que pretende visitar a Expo pode esperar do evento?

O evento é uma festa e um laboratório de ideias e informação sobre a cannabis. Haverá desde conferências de experts nacionais e internacionais, oficinas de cultivo, filmes, entretenimento e muitas surpresas. Os interessados na cannabis medicinal terão, além das oficinas e palestras, um consultório de orientação em cannabis medicinal com médicos profissionais que atenderão em consultas individuais ou grupais sem custo adicional. É um serviço do evento para ajudar as pessoas que necessitam do apoio profissional.

Também poderão conhecer sobre os usos industriais da cannabis, tudo o que pude se fazer com as plantas que não tem propriedades psicoativas. Desde materiais para construção de casas, tecidos, bio-plásticos, cosméticos, alimentos, papel, biocombustível, etc.

A feira de stands é das mais diversas da América Latina. Participam dela empresas nacionais e internacionais, passando por ONGs que trabalham com o tema, os centros de investigação, que hoje investigam com cannabis, e o setor público representado pelo Instituto de Regulação e Controle da cannabis, pela Junta Nacional de Drogas, o ministério de Agricultura, pecuária e pesca e os correios.

Os espaços verdes do evento contam com locais para relaxar e entretenimentos. Haverá também DJs e bandas ao vivo durante todo o evento, como por exemplo o Congo Bongo, a banda de reggae mais importante do país. É uma celebração à liberdade e al direito à diversão.

5) Como decidiu criar o Guia Cannabis e que importância vê nos veículos de mídia impressa?

O Guia Cannabis tem sido um maravilhoso desafio para nós. É a primeira publicação uruguaia dedicada a cannabis, é de distribuição gratuita e pretende chegar a cada canto do país com notícias e informação de qualidade.

Esse ano ainda estreamos o Guia de Cannabis online com um alcance muito maior e com notícias todos os dias.

6) Hoje em dia há alguma chance do Uruguai retroagir em relação às leis sobre a maconha?

Nada é impossível, mas sinceramente não parece que há esse movimento de retroagir. A sociedade é testemunha de que não resultou em uma avalanche de violência, nem de insegurança nem tampouco um crescimento no consumo de drogas. Estão perdendo o medo de aceitar o uso da planta. Os usuários foram des-estigmatizados e hoje em dia as farmácias vendem cannabis e se esgota rapidamente. Os representantes das farmácias veem com otimismo a venda e não querem que outros estabelecimentos possam vendê-la, como foi dito em resposta ao bloqueio bancário.

Cada vez são mais pessoas que admiram o potencial medicinal da planta e que querem ter acesso a produtos derivados da cannabis. Parece que muito além de uma marcha-a-ré, o que se vê por aqui é uma revolução de direitos e uma legitimação de uma planta injustamente proibida e estigmatizada.

7) Pra fechar, já veio ao Brasil? Que acha da política de drogas daqui e que potencial teríamos com a legalização, ao seu ver?

O Brasil é uma potência e a cannabis será uma indústria potente no país com certeza quando for legalizado. Certamente nos próximos anos veremos essa transformação como está ocorrendo em muitas partes do mundo, inclusive no Uruguai. O Brasil tem um clima privilegiado e uma localização preponderante na América Latina. No Brasil se produz muita cannabis ilegalmente, portanto, já há bastante conhecimento de como trabalhar com a planta. A cannabis mais consumida é a que vem do Paraguai, que é de baixa qualidade por culpa do narcotráfico e da prensagem. Então, se o Brasil produzisse sua própria cannabis teria uma indústria que só com o consumo interno geraria receita lata. Sem mencionar as possibilidades de exportação e de produção de derivados da cannabis para a indústria medicinal ou outras relacionadas ao cânhamo. O nível tecnológico e econômico do Brasil dá possibilidades de um amplo desenvolvimento inovador para a cannabis.

Espero que haja mais espaços para informação e educação sobre o tema para que daqui a pouco a sociedade perca o medo e, com um pouco de vontade política, tudo se pode.



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