“Entrando na Boca em Busca de Viagens”: Não Tapa, Mas Chapa #3

Não tapa, mas Chapa

hempadao 27 março, 2015

Ola Hempadões, Hempadinhas e viciados em informações! Sou Michael Meneses, o Único Maconheiro do Mundo que não fuma Maconha, às quinta-feiras (ou não) entro aqui na “Roda” e se você não acompanhou a “Marola” se liga: “Não Tapa, Mas Chapa” é uma coluna com memórias reais e/ou experiências surreais vivenciadas por mim ao longo de quase 30 anos de “Caretice” ao lado de quem Chapa, Torra, mas não se Enrola na Onda. A ideia é potencializar o relaxamento na maior “Ponta” das vezes com Bom Humor (Ácido) e em alguns casos tentar despertar reflexões sobre à questão central do Hempadão, como será o texto a seguir:

Por Michael Meneses

Certa vez uma conhecida resolveu fazer uma presença e me falou algo como:

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“Tenho uma parada boa para você, minha sogra iria torrar tudo, mas lembrei de você, basta vim aqui em casa buscar, anota o endereço…”. Pirei, afinal não é todo dia que um material de primeira cai do céu como presente divino!

O endereço era perto do meu então trabalho, dias depois fui descolar a parada. Para chegar na situação tinha que seguir até o final de uma rua que beirava a linha do trem, uma rua que nem sabia que existia, ao final da rua deveria entrar em um beco por onde deveria passar para chegar e com isso ficar de boa, com o um sorriso de orelha à orelha! Até ai beleza, porem me dirigir ao local com cautela, pois a área era (e ainda é) dominada pelo tráfico. Sei que medo atrai medo porém, sou da paz e a paz traz paz, sendo assim fui na fé!

Ao chegar ao final da rua, notei que havia dois becos, um deles cortava a linha do Trem e o outro ficava entre uma casa e a linha do trem e era do tamanho de uma porta o que me fez pensar que ele me levaria ao quintal da casa, liguei para me informar, ela falou que era só entrar no Beco da Linha do Trem e seguir direto pois sua sogra me aguardava com a parada malocada. Foi ai que ocorreu a falha da comunicação, pois o tal beco era o beco do tamanho da porta e não o beco que cortava a linha do trem, e lá fui pelo outro beco…

Ao cortar a linha do trem o medo foi falando mais alto, olho para um lado e vejo há cerca de uns 30 metros o que poderia ser uns cracrudos sentados e uma Kombi, toda retalhada encostada ao muro do trem e que poderia ser utilizada em barricadas com o intuito de interromper o trafego de trens, mas sou da paz e segui em frente, fazer o quê, melhor subir o morro. Na metade da ladeira, estava claro que entrava na favela, um cabeludo com pinta de intelectual descia o morro enfiando pó com dedo na nareba, senti que era observado, enquanto crianças brincavam e senhoras conversavam nas portas de casas naquela rua sem lei, foi ai que minha amiga ligou perguntando: “Cadê Você?” Respondi que havia passado pelo beco e que já estava chegando, ela estranhou, pois nem ela ou a sogra (que eu nem conhecia) não me viam, disse que estava chegando, no fundo tudo o que queria era que ela fosse me buscar. Desliguei o celular, vi que um cara saiu de onde estava e seguiu em frente, me olhou e caminhou um pouco mais rápido como quem diz: “Vou Vazar o Bicho Vai Pegar!”

Continuei até que um soldado do trafico de uns 20 anos me apontar uma pistola, manda levantar a camisa e pergunta o que fazia na ali. Falei que era trabalhador, da paz e tava indo buscar uma encomenda com uma senhora que não sabia quem era, mas que era a sogra de uma amiga e que ela já me aguardava. Ele perguntou se era maluco para entra na Boca falando ao celular e vestido de preto, deduzi que aquele soldado do trafico era daltônico, pois vestia Azul-Marinho. Vi umas senhoras sentadas na porta de uma casa, e o soldado mandou ver se era uma delas, fui e não eram elas e ambas notaram meu desespero, em seguida o soldado mandou aguardar a senhora na parte de baixo da ladeira, desci em uma verdadeira Bad-Trip imaginando ser alvejado pelas costas, na esquina da ladeira outro soldado de uns 30 anos falou para sair dali e aguardar ao lado, embaixo de um toldo de uma birosca que estava fechada, enquanto ele questionava outros adolescentes que estavam com ele e depois a mim se ele estava me esculachando, mesmo ficando nítido que ele falou comigo na boa. Confirmei que não havia esculacho, que sou da paz, trabalhador e até mostrei o crachá de funcionário pendurado. Esperei uns segundos, desistir da “Tal Presença” e mandei: “Amigo vou vazar, ela se quiser que me procure e entregue a parada”.

Desci a rua transversal ainda com aquela percepção de ser observado. Vários carros e motos desceram a pista e pressentia que algo ainda iria acontecer, até que umas duas ou três quadras depois me sai de dentro de um bar um colega que não encontrava desde um show do D2 com B Negão na primeira metade dos anos 2000, me dizendo: “Qual é Michael, dando mole na Boca!?”

Ele certamente me esperou descer, veio em algum carro ou moto e me esperou. Expliquei a história e falei para ele que não sabia que era Boca, que tinha era me perdido. Meu colega disse que assistiu tudo e que nem sabia como não fui de fato esculachado. Ao saber disso fiquei grilado, pois não sei se ele me deu uma moral com os caras limpando minha barra, dizendo que eu sou tranquilo ou se ficou na dele pra ver o que iria acontecer comigo, ou seja, se eu fosse executado ele assistiria de camarote e pela sua índole era capaz de me tirar de mané, afinal, também acho que ele achou que eu estava indo buscar drogas! Em tempo: Não pensem que o fato dele ir à show do D2 com B’Negão faz dele um cara culto, muito pelo contrario, sem querer crucificar, mas ele é do tipo sem noção.

Tentei mudar o papo, até para me tranquilizar um pouco, falamos de trabalho, sua filha, família, até seguimos nossos rumos. Já na parte comercial do bairro minha colega ligou procurando por mim, assustado contei a história e ouvi: “Na minha rua não tem Boca, você deve ter entrado no beco errado, faremos o seguinte vou combinar com meu marido e levamos a parada para você!”

Semanas depois minha colega alimentou o meu maior vício de todos. Me levou discos de vinis do Queen, Benito de Paula, Jaspion, Steve Wonder, Titãs, Irá!…

Depois dessa (des)aventura fiquei com questionamentos na mente. Sei lá, mas quase morri tentando pegar uns discos que só não foram pro lixo, pois minha colega ao saber que sou colecionador/pesquisador de LPs de diferentes gêneros musicais preferiu me doar, mas sei que toda hora alguém vai na boca sustentar vícios e consequentemente o trafico e com isso gente de bem, ou não, morre. E também que as autoridades sabem da existência dessa e outras bocas pelo Mundo, mas quase sempre às ignoram e com isso todos perdem. Logo na boa:

LEGALIZEM A PORRA DA MACONHA, pois quero continuar indo e vindo à qualquer lugar, continuar sendo amigo dos meus amigos usuários e quero continuar sendo usuário da arte de usufruir de vinis NA PAZ!

"Pontas, Flagrantes e Flashes Blacks":

“Um colega em meados dos anos 90 quis tirar onda e convidou o vizinho para fumar um. Entre um tapa e outro, meu colega deixou o beck cair no chão. Ao ver o beck no chão o vizinho deu um Grande Porradão na caixa dos peitos do meu colega e gritou: “Porra moleque, não deixe o beck cair no chão não!”

Moral da História: “Um Beck na boca vale só um Tapa, mas um Beck no Chão vale Porradão no Pulmão!”

Fim de Beck

“Michael Meneses é contra a pena de morte, mas deseja que todo traficantes e morra de fome(e não de larica)!”



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