Em carta, líderes mundiais pedem fim da guerra às drogas

Clipadão

hempadao 15 abril, 2016

RIO — A poucos dias do início da Sessão Especial sobre drogas da Assembleia Geral das Nações Unidas (UNGASS 2016), marcada para ter início no próximo dia 19, uma carta com a assinatura de mais de mil líderes mundiais foi encaminhada ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pedindo uma reforma “nas políticas globais de controle de drogas”, ou o fim da chamada “guerra às drogas”.

Fonte: O Globo

“O regime de controle de drogas surgiu durante o século passado e resultou em desastrosas consequências para a saúde, para a segurança e para os direitos humanos internacionais”, diz o documento. “Focada sobretudo na criminalização e na punição, criou um vasto mercado ilícito, que enriqueceu organizações criminosas, corrompeu governos, exacerbou a violência, distorceu mercados e minou valores morais basilares de nossas sociedades”.

Do Brasil são 94 os signatários, como ex-presidente Fernando Henrique Cardoso; o presidente da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), Paulo Gadelha; O diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Fábio Mesquita; o diretor-executivo do Viva Rio, Rubem Cesar Fernandes; e Ilona Szabó, diretora-executiva do Instituto Igarapé e coordenadora do secretariado da Comissão Global de Políticas sobre Drogas.

De outros países, assinam a carta personalidades como os ex-presidentes do México Ernesto Zedillo e Vicente Fox; o ex-presidente do Chile Ricardo Lagos; o ex-presidente da Colômbia César Gaviria Trujillo; o empresário Warren Buffett; o fundador do grupo Virgin, Richard Branson; os músicos Sting e Peter Gabriel; e os atores Michael Douglas, Gael Garcia Bernal e Jane Fonda.

— As políticas repressivas foram incapazes de reduzir a produção e o consumo de drogas; ao contrário: a abordagem militar de combate às drogas fortaleceu o crime organizado e tem causado problemas sociais, de saúde e segurança muito mais graves do que o consumo de droga em si — disse Ilona. — Muitos países já perceberam o erro e avançam em outro sentido. Mas ainda não é suficiente, precisamos de uma nova abordagem internacional que coloque a saúde, o bem-estar e os direitos humanos em primeiro lugar.

A coleta de assinaturas é uma iniciativa da Drug Policy Alliance, organização americana que luta contra a política da guerra às drogas nos EUA, com a descriminalização do uso e a promoção de tratamentos e redução de danos. “Governos devotaram recursos desproporcionais à repressão em vez de esforços para melhorar a condição humana”.

“A Humanidade não tem condições de arcar com os custos de insistir, em pleno século XXI, em políticas de drogas tão ineficientes e contraproducentes quanto as do século passado. Precisamos de uma nova resposta à questão das drogas, que seja baseada em evidências científicas, em compaixão, na saúde e nos direitos humanos”, insiste a carta.

— Nunca antes tantas vozes respeitáveis se uniram para pedir a tão fundamental reforma nas políticas de controle de drogas. E os signatários representam apenas uma pequena fração de lideranças políticas, acadêmicos, profissionais do direito e de forças de segurança, da saúde pública e das áreas de medicina, cultura, entretenimento, negócios e religião que concordariam com seu teor e o sentimento que ela expressa — destacou Ethan Naddleman, diretor executivo da Drug Policy Alliance.



3 respostas para “Em carta, líderes mundiais pedem fim da guerra às drogas”

  1. Tyr disse:

    Tá chegando a hora ….

  2. Emmanuel disse:

    Legaliza Brasil A Humanidade não tem condições de arcar com os custos de insistir, em pleno século XXI, em políticas de drogas tão ineficientes e contraproducentes quanto as do século passado, Livre arbítrio.

  3. Claudio disse:

    Muitas vozes respeitadas estão sendo ouvidas.
    Mas a nossa voz é que deveria também ser respeitada.
    Afinal,quem mais sofreu e sofre com essa Guerra?
    Quantas vidas foram perdidas em nome dessa Guerra?
    Será que estão dispostos em dar continuidade a tanta estupidez?
    Preferimos acreditar que não,por isso acreditamos também que
    mudanças que devem acontecer são mudanças que vão acontecer,
    embora não se saiba quando.
    Esperamos que até lá não sejam mortos mais tantos inocentes.
    Principalmente se esse inocente for uma criança que não teve nem tempo para experimentar qualquer tipo de coisa que usem como desculpa para chegar em lugares atirando contra as pessoas.

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