“Ele quis buscar os direitos de consumidor dele”, diz policial militar que atendeu usuário que comprou farinha ao invés de cocaína

Clipadão

hempadao 24 agosto, 2013

Fonte: Zero Hora

15492647Soldado Moisés Pozzobon afirma que o homem de 32 anos tem registros de surtos psicóticos e condena malandragem de suposto traficante

Embora tenha apenas quatro anos de carreira, o soldado Moisés Pozzobon, do batalhão da Brigada Militar de Araricá, no Vale do Sinos, pode contar uma história que nem mesmo os mais experientes imaginariam que poderia ocorrer: um usuário de cocaína comprou uma bucha de 25 gramas da droga, mas ela continha apenas farinha. Na negociação, ofereceu um aparelho de som de R$ 2 mil para o suposto traficante. Se sentindo lesado, o homem de 32 anos – com um histórico de problemas psiquiátricos e registros na polícia em virtude de surtos psicóticos – prestou queixa à polícia alegando buscar seus “direitos de consumidor”. O vendedor de 20 anos de idade já havia até instalado o aparelho em sua residência quando a polícia fez a busca. Confira:

Zero Hora – Já tinha visto algo semelhante na sua carreira?

Moisés Pozzobon – Nunca. Estou há quatro anos na corporação e conversei com colegas que já tem 25 anos de casa. Me disseram que nunca viram nada igual.

ZH – Por que você registrou a ocorrência?

Pozzobon – Porque é dever da polícia apoiar o cidadão em qualquer circunstância. Mesmo que ele provavelmente tenha problemas mentais, eu não poderia me omitir de prestar ajuda ao que aconteceu com ele. Não me arrependo. Conseguimos recuperar o som dele.

ZH – Como foi a abordagem do homem? Ele estava alterado?

Pozzobon – Estava perturbado. Chegou dizendo que tinha feito uma coisa e queria falar sobre ela. Quando nos contou que tinha oferecido um aparelho de som de R$ 2 mil e tinha recebido farinha ao invés de cocaína, ele pediu que buscássemos o aparelho.

ZH – Como o usuário localizou o suposto traficante para comprar drogas?

Pozzobon – Ele soube por terceiros que esse rapaz estaria vendendo cocaína. Foi na segunda-feira, por volta das 19h, na residência do sujeito, e lá ofereceu o som em troca das 25 gramas. O rapaz foi esperto, malandro.

ZH – Ele chegou a dizer se reclamaria o aparelho de som caso tivesse recebido a cocaína?

Pozzobon – Ele disse que não. Que só procurou a polícia porque se sentiu lesado. Disse que queria buscar os direitos de consumidor dele. Percebe-se que é uma pessoa que precisa de tratamento. Ele é conhecida na cidade por ser usuário de cocaína. É uma pena.

ZH – O que o vendedor alegou?

Pozzobon – Quando fizemos a busca na casa dele, o aparelho de som já estava até instalado. Ele pensou que o usuário não conseguiria diferenciar a farinha da cocaína. Não achou também que o comprador falaria para outras pessoas sobre o ocorrido, principalmente para a polícia. Não encontramos nada na casa, após uma procura minuciosa. Somente farinha. Ele não tem ficha, nem nada. É operário em uma empresa de metais.



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