É a Saúde Pública, Estúpido!

Chapa2

hempadao 23 setembro, 2014

por Thales Henrique Coelho

Vivemos num País de muitas contradições. Isso é claro pra todo mundo. Estamos entre os maiores consumidores de álcool, mas o moralismo impede qualquer discussão séria no meio político sobre outras drogas. Sabemos que a droga deveria ser um problema de saúde pública, e não de polícia, mas nem por isso as coisas mudam.

 

Outra questão de saúde pública que não muda por causa do conservadorismo é a do aborto. Hoje ele é ilegal, e uma mulher que faça o aborto pode vir a ser presa. Embora não haja registro de mulheres presas, o resultado dessa lei é terrível, principalmente para as mais pobres.

Isso porque as mulheres com boas condições financeiras conseguem fazer abortos que de clandestinos só tem o nome. Elas tem atendimento igual a qualquer hospital de qualidade. Já a grande maioria se submete a condições precárias, e as mortes são comuns.

Só nas últimas semanas no Rio tivemos dois casos de mulheres que morreram em decorrência de abortos mal feitos. Jandira dos Santos, 27, e Elizangela Barbosa, 32, tiveram suas vidas interrompidas porque a lei as força a fazer abortos ilegais.

Estimativas apontam que os abortos ilegais representam a 5º causa de mortes maternas no Brasil. Segundo a OMS, todos anos são feitos 1 milhão de abortos no Brasil, com 250 mil mulheres sendo internadas por causa de abortos mal feitos.  Segundo as mesmas estimativas, uma mulher morre a cada dois dias pro causa disso no país.

É claro que sempre vai haver o debate sobre o aborto, quando a vida começa, a discussão é grande. Mas é bem semelhante à questão das drogas: as pessoas fazem, sempre fizeram, e vão continuar fazendo.

Aqui, assim como na questão da maconha, temos o exemplo do Uruguai, que legalizou o aborto em outubro de 2012. Segundo números apresentados pelo governo, entre dezembro de 2012 e maio de 2013, não foi registada nenhuma morte materna por consequência de aborto e o número de interrupções de gravidez passou de 33 mil por ano para 4 mil.

Isso porque, junto da descriminalização, o governo implementou políticas públicas de educação sexual e reprodutiva, planejamento familiar e uso de métodos contraceptivos.

Aborto ilegal é o aborto desregulado, que deixa as mulheres à mercê de criminosos e da violência. Assim como a proibição das drogas deixa o mercado desregulado, com os usuários à mercê de criminosos e da violência.

É preciso interromper essa lógica. Legalizar, em ambos os casos.

O tema é polêmico. Quem quiser debater, comenta aí!



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