Conheça a história secreta sobre a maconha no Japão

Clipadão

hempadao 12 outubro, 2015

fonte: IPCDigital

TÓQUIO (IPC Digital) – Hoje o Japão tem algumas das mais rigorosas leis anti-cannabisno mundo. A punição para a posse de maconha é um máximo de 5 anos atrás das grades e cultivadores ilícitos podem enfrentar penas de até 7 anos.

7-out-Maconha-1

Anualmente cerca de 2000 pessoas enfrentam a justiça devido ao uso ilegal da planta. Seus nomes são divulgados no noticiário e suas carreiras arruinadas para sempre.

Punições para estudos sobre a maconha medicinal também existem, o que força os cientistas japoneses a realizar seus estudos no exterior.

Mas nem sempre isso foi assim. E, hoje em dia, o número de japoneses que tem se manifestado contra esta proibição vem aumentando e eles têm tentado relembrar o país que há uma história esquecida sobrecannabisno Japão.

“Por milhares de anos a cannabisfoi o cerne da cultura japonesa”, explica Takayasu Junichi, um dos maiores especialistas do país.

De acordo com Takayasu, os primeiros vestígios de cannabis no Japão foram as sementes e fibras tecidas descobertas no oeste do país, no Período Jomon (10.000 aC – 300 aC).  Os arqueólogos sugerem que as fibras de maconha foram usados para roupas – bem como para cordas de arco e linhas de pesca. Elas eram apreciadas por sua fibra forte e resistente.

“A cannabis foi a substância mais importante para as pessoas pré-históricas no Japão. Mas hoje muitos japoneses têm uma imagem muito negativa da planta”, diz Takayasu.

Para ajudar os japoneses a entenderem esta história e terem contato novamente com as raízes do uso da maconha, foi construído, em 2001, o Museu da Cannabisem Tochigi, na região de Tokyo.

Visitantes na fazenda legalizada de cannabis em Tochigi

Visitantes na fazenda legalizada de “cannabis” em Tochigi

Possivelmente, os Ninjas também usavam a cannabis durante seus treinos, saltando pelas plantas que cresciam rápido dia após dia, melhorando suas habilidades acrobáticas.

Existiam também músicas escolares que comparavam as crianças ao crescimento da cannabis, estimulando-as a crescer forte e em linha reta como uma planta de maconha.

Por esta popularidade da planta, no século 18 uma fábrica de roupas desenhou roupas infantis com o desenho dacannabise a venda foi tanta que que empresa ganhou fortunas.

Na religião também foi muito utilizada. A cannabis tinha significado espiritual no Xintoísmo, religião indígena do Japão, que venera a natureza. Ela ajudava a espantar maus espíritos.

Por significar pureza, noivas usavam véus feitos de cannabisem seus casamentos.

Dado o uso tão popular da planta, fica a dúvida: será que foi fumada?

Os especialistas não sabem responder com certeza, pois os registros tendem a concentrar-se nos estilos de vida das elites, ignorando os hábitos da maioria da população. Mas é bem possível que a cannabis tenha sido a droga escolhida pelas massas.

A proibição contra a indústria japonesa de cannabis tem origem estrangeira. De acordo com Takayasu, as fibras da planta ajudaram na confecção de materiais para a marinha imperial e ajudaram o Japão a ganhar a Guerra da Ásia-Pacífico na década de 1940.

No entanto, após a rendição do Japão em 1945, as autoridades americanas ocuparam o país e eles introduziram atitudes americanas em relação a cannabis. Tendo efetivamente proibido o seu cultivo nos Estados Unidos em 1937, Washington procurou proibí-lo no Japão.

A lei, então, criminaliza a posse e cultivo não licenciado – e mais de 70 anos depois, continua a ser o cerne da política anti-cannabisatual do Japão.

Na época, as autoridades norte-americanas fizeram parecem ter ajudado o país a proteger os japoneses dos males das drogas. E muita campanha de “lavagem cerebral” foi feita para a população japonesa perceber a maconha como um veneno em pé de igualdade à heroína ou o crack.

Mas os críticos e especialistas japoneses, mais tarde reconheceram que a proibição foi instigada por lobistas que queriam derrubar a indústria da fibra de cannabis japonês para abrir mercado para o nylon.

Devido aos tabus implantados na população a cerca da cannabis, muitas pessoas eram relutantes em condenar as campanhas policiais contra a planta. Mas agora, os críticos estão começando a atacar o desperdício de recursos públicos e a destruição desnecessária das plantações com foco em estudos sobre seus benefícios em medicamentos, energia de biomassa e nas indústrias de construção.

Aprender sobre o passado ajuda a população a repensar sobre as verdades e mentiras implantadas, ajudando-as a analisar e tomar melhores decisões para o futuro.

Será que um dia ela será legalizada novamente? Este é um debate que tem acontecido em muitos países.

FONTE: The Asia-Pacific Journal



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *




Papelito
Banner Sedina