Cheguei e vou me Apresentar: Chá das Minas!

Chá das Minas

hempadao 18 abril, 2016

por Nessa Bruxinha .:.

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Sou uma mina de 35 anos, mãe solteira de 2 filhos, com muito orgulho, auxiliar administrativo (amo o que eu faço), baiana arretada, sagitariana nata, não sou graduada mas ainda pretendo ser em pedagogia ou psicologia; ou os dois. Ah, e gosto muito de dar uns tapinhas, mas as vezes parece tão errado que me deixa com dúvida: até que ponto o prazer e o bem-estar vale o sacrifício? Mas isso não vem ao caso agora. Moro sozinha com um de meus filhos e meus pais não sabem que fumo. Ou fingem que não sabem. Não sou maconheira assumida, pois ainda rege o insuportável preconceito, e a inevitável perseguição dos aparelhos repressores. Mas sonho em estar viva quando a legalização for promulgada e eu finalmente puder ter em meu jardim a minha planta favorita.

Conheci a maconha desde adolescente, e nessa época, não a fumei e nem tinha vontade. Mas bebi cedo e fumei cigarro também. Ainda bebo, talvez um pouco mais, e fumo, com certeza um pouco menos. Dei meu primeiro tapa aos 24 anos e odiei. Não queria sentir aquela lombra nunca mais na minha vida. Mas depois comecei fumando de leve, aprendendo quando fumar, como, quanto, ao tempo em que pesquisava sobre a erva e a conhecia cada vez mais.

Confesso que me apaixonei pela sua história e unir o conhecimento científico com meu bem-estar real me fez acreditar que sim, a maconha pode e deve ser discutida com mais seriedade e não como birra de criança. Sem querer puxar a sardinha, mas já puxando, há alguns anos o Hempadão vem fazendo parte disso, clareando e abrindo minha mente. 

Contudo, percebi que na grande maioria das mídias acessadas, a ala feminina está fortemente representada, em imagens, pelas “gatas saradas seminuas” com folhas verdinhas, camarões apetitosos, e becks deliciosos, prontos para serem degustados. Parece até comercial de cerveja. É bonito, mas não é só isso. Tem isso, mas existe o outro lado da mulher que fuma a erva; boas marolas, boas risadas, boas músicas, laricas impensáveis (já fiz cada gororoba gostosa), papos cabeça, super astral, benefícios na saúde, mente, beleza e alma. Não somos só um corpinho bonito que fuma (seja esse corpo como for). Com isso, muitas dúvidas ficaram suspensas no ar. É preciso falar. Precisamos falar. Reclamamos de direitos iguais, mas deixamos o trabalho sujo para que eles façam. 

Assim, resolvi mudar minhas dúvidas e dividi-las é o primeiro passo. O Hempa abriu o espaço, e estou aqui para compartilhar informação. Minas, o espaço está aberto; de nada adianta uma boa roda, se apenas um falar. Manos, dê a letra; tô ligada que é muito massa dividir um beck com as minas. Conte ai, o que vocês acham mais legal ou menos legal dessa convivência? Passo a bola para vocês!

Meninas, você também estão convidadas para integrarem esse espaço, caso tenham vontade de colaborar, entrem em contato com nessabruxinhabrisada@gmail.com



10 respostas para “Cheguei e vou me Apresentar: Chá das Minas!”

  1. kahbeck disse:

    Tirou as palavras da minha mente minha querida Nessa!
    O Hempadão é um dos poucos sites que entro para ler sobre maconha, porque na maioria dos lugares que procuramos informações sobre, acabamos esbarando em muitas imagens até desnecessárias envolvendo o corpo da mulher e maconha!
    Quando você fala “Parece até comercial de cerveja. É bonito, mas não é só isso. Tem isso, mas existe o outro lado da mulher que fuma a erva; boas marolas, boas risadas, boas músicas, laricas impensáveis” você resume tudo! Não é só isso!

    Hoje com o seu texto me senti realmente representada e espero realmente que as pessoas que lerem o seu texto percam essa mania de achar que quem fuma maconha não presta.
    E espero que as pessoas que fumam maconha parem de associar a mulher que fuma com comercial de cerveja!

    • Nessa Bruxinha disse:

      Olá Kahbeck!!!

      Honrada com seu comentário quando diz que finalmente se sentiu representada!!! Fico muito feliz, obrigada!!

      E achei perfeita sua colocação quando diz “as pessoas que fumam maconha parem de associar a mulher que fuma com comercial de cerveja!” Infelizmente, essa associação começa com os próprios maconheiros.

      Mas vamos pra frente! A luta está apenas começando!

  2. Emmhemp disse:

    Parabenizo o Hempadão pela iniciativa! Talvez, quase com certeza, se pense em todo maconheiro como um sujeito tranquilo, de ideias com tons de liberdade individual, e tal. O que não é, nem de perto, verdade. Antes de usuário da erva, temos o preguiçoso, o briguento, o rebelde, o calmo, o lerdo, isto é, não há um padrão de personalidade determinante de quem vai experimentar maconha. Isso se constata no que vemos em publicações onde é incluída a imagem da mulher. Quando as vejo, não me encontro. É um problema não localizar conteúdo que fuja à costumeira imagem da maconheira. Onde estão as meninas que curtem Jazz, clássica, bolero? Onde estão as mulheres discretas, bem vestidas, e que frequentam bons lugares? Não me reconheço na garota de shorts curtos, com meias até o joelho, de boné, ouvindo Cone Crew, e falando gírias! Por trás do uso da erva Cannabis, há a personalidade que é o que é pelo que considera ser a Cannabis. Para mim, uma erva como qualquer outra; e que não devia ser jogada no meio de outras drogas.

    • Nessa Bruxinha disse:

      Emmhemp, obrigada pelo apoio!
      Você disse tudo e um pouco mais.
      Quando falamos de usuários de maconha, ou ele é reggaeiro e preguiçoso, ou rapper e violento. Se for mulher, é reggaeira e lesada, ou rapper e (com o perdão da palavra) puta. Onde estão os trabalhadores, os pais e mães de família? Estão em todo lugar, escondidos, com medo de serem rechaçados e excluídos de seus ambientes bem frequentados, apenas por usarem a erva. E posso te falar a real? Só conheço o Cone Crew de ouvir falar. Pronto, falei!
      Cada um é cada um, usando ou não usando. A pessoa que se torna, pós beck, não é consequência, é efeito, efeito de ser quem já é. Confesso que nunca parei pra ouvir uma música clássica, nem sã, nem doidona, mas já imagino que deve ser bem louco ouvir uma Sinfonia de Beethoven com a percepção aguçada.

      Seja bem vinda!!! Aproveita para mandar sugestões do que gostaria de ver discutido na nossa coluna.

      Namastê!

  3. Herlan Poe disse:

    Pois bem…
    Não é “só isso”. rs
    É claro que rola aquela velha fantasia e serve de uma forma de propagar e enfeitar mais a parada, como o marketing que fazem com a cerveja, ne? Mas a verdadeira roda de amigos, dando um tapa, abrindo as mentes, os papos, aw gargalhadas e tudo mais, parece algo surreal. Mágico… Lamento também a pouca participação das minas, nada mais interessante pra nós manos do que a presença feminina em qualquer momento que seja, e quando rola das minas colar também na hora de fumar um, o momento de mágico passa a ser ainda melhor!
    Parabéns pelo texto, Nessa. Vamo nessa. Bjo bjo

    • Nessa Bruxinha disse:

      É sim Herlan Poe. É isso mesmo!! “Enfeitar a parada” rs
      É o que vende! Sempre foi assim e pelo visto, sempre será. O que ainda assim não vejo como algo ruim. O bonito é pra ser mostrado, não é o que dizem?! Só que não precisamos disso e sim de um pouco mais que isso!

      Obrigada pela interação e colaboração!! Tamo junto!

      Vamos nessa!!!
      Forte abraço!!!

  4. Latherface disse:

    Concordo contigo. Agora saiu um clipe de um grupo musical no Hempadão, esqueci o nome, em que usam as mulheres de forma meramente superficial, de calcinha, tomando banho, mostrando a bunda, os seios… Ou seja, um mero objeto sexual.

    • Nessa Bruxinha disse:

      Pois é Latherface… vi o vídeo do 3pra1, achei a música boa, boa sonoridade, e as minas estavam bem a vontade! Mas infelizmente, ou felizmente (depende do ponto de vista), é isso que vende (no caso da música) e assim aceitamos de bom grado a musicalidade envolvida na sensualidade da mulher. Não estou aqui para discordar do belo, apenas para reforçar que há muito mais a se ver numa mulher do que apenas “peito e bunda”.

  5. Anônimo disse:

    Lugar de mulher é onde ela quiser! A erva é a cura da nação, a legalização tem que começar pelo usuário! Lutemos! O mundo todo só tem a ganhar com a paz utópica de um mundo livre da guerra às drogas… Pense nisto. Avança BR!

    • Nessa Bruxinha disse:

      Exatamente Anônimo!!! Por isso estou aqui! Por isso estamos aqui!
      E é essa paz que devemos buscar, unidos! Por enquanto, apenas compartilhando informações positivas e verdadeiras, e divulgando, para que essas informações cheguem a mais e mais pessoas!
      Lutemos!!
      Tamo junto!!!

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