Chacrero fala sobre Copa e ativismo no Uruguai!

ConverSativa

hempadao 5 agosto, 2013

Quem acompanha o Hempadão sabe que no mês passado nós fomos lá na Argentina (acompanhar a CABA) e no Uruguai acompanhar a II Copa Cannabis. O Conversativa de hoje vai trocar ideia com um dos organizadores do evento e falar sobre, além da competição, o panorama político atual do país. Sete perguntas para o Chacrero:

Quantos inscritos esse ano?

Foram 90 inscritos do Uruguai e 20 internacionais. Em 2012, foram 12 internacionais e 50 ou 60 uruguaios.

O que você fez de diferente este ano para aumentar tanto o número de inscritos?

Respondo com duas variáveis: uma é o aumento exponencial de cultivadores ano a ano. O auto cultivo vem crescendo, nos últimos 5 anos, o dobro a cada ano. Isso é muito. Isso se deve ao trabalho dos ativistas, às oficinas de cultivo que deram ano passado mais de 7000 sementes.

Por outro lado, o número de competidores internacionais subiu por causa da seriedade do evento. Um cultivador, quando se apresenta a uma copa, apresenta o melhor de seu trabalho durante o ano. Então deve ser julgado da mesma maneira: pelas pessoas mais capazes e num ambiente seguro. Não pode haver um engano com uma amostra nem pode trocar nenhum dado. Então, convidamos juízes com muita experiência de outros países, aos quais se pagam as passagens, hotel e tudo para estarem aqui e também convidamos vendedores que muitas vezes coincidem com editores de revistas canábicas ou patrocinadores de alto nível, os quais estão presentes durante toda a semana anterior ao evento que é quando se recolhem e fazem as avaliações das amostras.

Quantas pessoas te ajudaram na organização?

Nós formamos uma equipe de 30 pessoas e nos dividimos em 3 grupos de 10 e cada grupo tinha uma atividade específica.

O governo de Pepe ajudou na liberdade do evento? No aumento de competidores?

Bom… Sim e não. Dizer simplesmente que sim é desconhecer o trabalho que os ativistas vêm fazendo nos últimos dez anos. Esta decisão de Pepe Mujica do ano passado para regular o mercado da maconha é consequência de dez anos de ativismo e de debate bem fundado com debatedores bem informados, o que levou o governo a decidir que caminho seguir. Não foi Pepe que um dia se levantou e disse: “Vamos legalizar a maconha”. Tudo é consequência da luta social.

Por outro lado, o consumo não é proibido no Uruguai há muitos anos. Então, a Copa não é um evento ilegal; é um evento legal, no qual a pessoa exerce seu direito legal de consumir porque aqui é legal consumir. Então o que fazemos é um consumo compartilhado, que também é legal.

Então, essas duas coisas se juntam e sai isso que é a maior Copa da América do Sul.

Qual foi sua impressão sobre a Copa?

A impressão que tenho da Copa é que correu muito bem, correspondeu a nossas expectativas; na verdade, superou. Nós esperávamos 500 pessoas e foram quase 700. Isso gerou alguns problemas com a comida, por exemplo, é muito difícil alimentar 700 pessoas em duas ou três horas. Então isso nos complicou um pouco e são coisas que vamos solucionar para o ano que vem.

O que vai fazer para o próximo ano?

O que pensamos para o ano que vem? Bem… pensamos em nos superar, mas vamos fazer uma surpresa para criar expectativa nas pessoas. Mas, no começo do ano, vamos dizer como vamos fazer no ano que vem.

Por outro lado, vamos ver o que vai acontecer no ano que vem no parlamento e, quem sabe vamos fazer outra coisa… não uma Copa, mas outra coisa.

O que achou da participação do Brasil na Copa?

A participação do Brasil na Copa foi muito importante. Estamos muito acostumados a ter competidores argentinos que estão muito perto, é só cruzar o Rio da Prata.

Vir do Brasil para competir implica não só vir muito bem preparado, como também ter a coragem para cruzar uma fronteira mantendo a qualidade do produto. Os competidores brasileiros fizeram tudo isso, apresentaram um produto muito bom, conseguiram sua liberdade e isso é muito meritório. Meritórios são os dois prêmios que levaram os competidores brasileiros. Isso e a presença da SemSemente aqui como sempre acompanhando.

Tem uma coisa… quando fez a pergunta anterior… como fizemos e quantas pessoas eram…

Tenho que dizer que a Copa não teria acontecido nem no ano passado, nem esse ano se não fosse pelo apoio de outras pessoas. Fundamentalmente, a Revista THC, o banco de sementes Green House, a Pollinator. Eles foram os impulsores. Isso não aconteceria sem a ajuda deles e sua divulgação.

É tanto ou mais importante o que eles fizeram do que o que nós fizemos.

Só mais uma coisa…

A Copa não é só uma festa que alguém vem um num domingo. A Copa começa um mês antes recebendo amostras, fazendo a divulgação, criando uma estrutura para cuidado das amostras de maneira que elas não se misturem e cheguem no dia do julgamento no mesmo estado em que foram apresentadas.

E isso estamos falando de 120 amostras mais 25 amostras de hash. É um trabalho muito grande e um risco muito grande. Nós dessa vez manejamos mais de 700 gramas de cannabis, o que é uma responsabilidade muito grande com os cultivadores que apresentam o melhor da sua colheita.



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