Carta do Ras Geraldinho – Visita na Prisão Também Sofre

bONG

hempadao 13 dezembro, 2013

do blog Memórias do Cárcere

‘Iperó, 24 de novembro de 2013

15 meses de arbitrariedade pudica do judiciário reativo paulista.

Que o verdadeiro amor fraternal universal se derrame das fontes da Justiça do meu Pai poderoso e inunde nossos corações!

"Inclina, ó Senhor, teu ouvido e escuta-me, porque estou aflito e necessitado. Guarda minha alma, porque sou poderoso, salva Tu, ó meu Jah, teu servo que em Ti confia. Tem misericórdia de mim, ó Senhor meu, porque a Ti clamo todos os dias. Alegra a alma do Teu servo." (Salmos 86- 1~4)

Domingo pós-visita. O dia no cativeiro fica menos tenso. O carinho das visitantes (99% são mães ou companheiras) transborda em forma de doces, biscoitos e outras guloseimas.

Meu coração curte ainda os poderosos eflúvios de luz que meu anjo trouxe: meu único elo com a babilônia; meu guia protetor.

O processo que leva uma pessoa a aceitar ser a visita costumeira de um detento é a mais pura expressão de amor ao próximo, resignação e paciência.

O sofrimento do condenado é patente e não precisamos explorar aqui, mas o calvário destas santas senhoras é hediondo. A tortura institucional é cruel com elas, é humilhante, cansativo, desumano.

Mesmo assim essas guerreiras trazem um pouco de alento para as almas neste vale de sombras.



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