Carl Hart – Uma nova visão sobre drogas

Chapa2

hempadao 3 outubro, 2017

por Marcus Vinícius

Em 18 de setembro de 2017, Carl Hart, o neurocientista e professor da Columbia University de Nova Iorque nos EUA, participou do programa ‘Conversa com Bial’, da Rede Globo. O autor do livro “Um preço muito alto”, lançado em 2013, falou sobre sua pesquisa que trata de abusos e vícios em drogas, onde observou que o ambiente no qual o usuário se encontra é fator-chave na construção e no agravamento do vício do indivíduo.

Hart trouxe durante a entrevista com Bial argumentos que demonstram como a sociedade atual julga e define o usuário de drogas em geral. Ele explica que a posição social do indivíduo define sua reputação de usuário diante do coletivo. “Por exemplo, o álcool, podemos pensar nele no contexto de pessoas ricas em festas: nesse caso adquire uma reputação ótima. Mesmo quando ricos usam cocaína, está tudo certo, mas quando pessoas usam cocaína ou crack nas favelas, então elas adquirem uma reputação ruim”, explicou o professor.

Em seu livro, o autor destaca que o uso de drogas — principalmente nas zonas periféricas das cidades — é feito com intuito de compensar o isolamento social e cultural causado por diversos fatores vinculados ao cotidiano desses indivíduos menos abastados da sociedade. Freud já havia denominado as drogas como “amortecedores de preocupações”. O pai da psicanálise reconheceu também como eficaz o uso de drogas pelo homem como forma de lidar com a infelicidade.

“Por que, então, nossa imagem do usuário de drogas ilegais é tão negativa? Por que achamos que o uso de drogas significa vício e que o principal resultado do consumo de drogas é a degradação? Por que estamos sempre prontos para culpar as drogas ilícitas por problemas sociais como criminalidade e violência doméstica?”. Ao longo de sua obra e através de relatos pessoais em conjunto com os resultados das suas pesquisas sobre abusos e vícios, o neurocientista norte-americano elucida ao leitor tais questionamentos.

Hart também destaca a mídia como um dos responsáveis pela banalização, incentivo e distorção de aspectos relacionados as drogas, citando em seu livro que “Há tempos vem sendo orquestrada uma tentativa de exagerar os riscos de drogas como cocaína, heroína e metanfetamina. Os mais empenhados nessa tentativa são os cientistas, os responsáveis pelo cumprimento da lei, os políticos e os meios de comunicação.”

Assista a entrevista na íntegra: AQUI!



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