Beltrame admite que a guerra às drogas é um fracasso

WeedNews

hempadao 28 junho, 2015

Na lógica da guerra às drogas cabe a polícia executar a parte mais suja desta política. Os parlamentares elaboram as leis, os juízes aplicam as penas e os policiais vão para o combate atrás de drogas e traficantes. Será que todos eles conseguem dormir acreditando que estão tornando o mundo um lugar melhor?

beltrame

É uma pergunta difícil de responder, mas o secretário de segurança pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, já se convenceu que a proibição das drogas é um fracasso completo. Em visita à Europa, ele conheceu a política de drogas portuguesa, que descriminalizou o porte para uso pessoal no início dos anos 2000.

"Fiquei encantado com a descriminalização das drogas em Portugal. De todas as drogas, inclusive heroína, cocaína. O programa começou em 2000. No Brasil, não pode passar deste governo a descriminalização do uso. A guerra à droga é perdida, irracional," contou Beltrame em entrevista para a revista Época.

Principal figura política na elaboração das UPPs, Beltrame admite que a pacificação não é capaz de acabar com o tráfico de drogas. "Nunca foi nosso objetivo acabar com as drogas. É impossível. Parece que os brasileiros não acordam para o desperdício dessa guerra. Não existem vitoriosos."

Entretanto, quem mora no Rio já percebeu que UPP sozinha é incapaz de gerar a paz dos contos de fadas. Não são poucos os casos de policiais da própria UPP envolvidos de alguma forma com o tráfico das comunidades ocupadas, ou agindo de forma truculenta contra moradores, em ações que lembram os famosos "tribunais do tráfico". O caso Amarildo é apenas um entre muitos do noticiário da esquizofrênica "guerra da pacificação’.

Beltrame acerta ao dizer que guerra às drogas fracassou, mas apenas descriminalizar (repetindo o modelo português) não resolve o problema, já que as drogas continuam ilegais. Não se pode sonhar com a pacificação sem colocar todas as drogas em um mercado legal e regulamentado.

A legalização sozinha não vai resolver os problemas da violência, mas sem a legalização a paz segue como sonho impossível.



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