As Eleições e as Drogas! [Chapa2 Ed. #285]

Chapa2

hempadao 12 agosto, 2014

por Tales Henrique Coelho

A política e as drogas estão sempre intimamente ligadas, mas geralmente com o segundo tema funcionando como adjetivo: todos são unânimes ao afirmar que nossos políticos são uma droga. E isso não só é verdade, como é até uma injustiça com as drogas: por pior que possam ser algumas delas, há políticos infinitamente piores que qualquer uma.

Mas o que precisamos ter em mente é que, apesar desse sistema estar totalmente falido, as eleições ainda são importantes para decidir muita coisa. Agora que a campanha está esquentando é essencial que todo maconheiro informado esteja atento pra escolher o voto no dia 5 de outubro da melhor forma possível.

Quem acompanha o Hempadão e a militância antiproibicionista em geral sabe que esta não é uma luta voltada só para a liberdade de usar sua droga. A legalização é uma necessidade que se impõe em nosso País, que já tem a terceira maior população carcerária do mundo, onde a Guerra às Drogas tornou-se uma verdadeira guerra aos pobres, gerando taxas de homicídio maiores que a de países em guerra.

Nesse contexto, eleger gente que esteja comprometida com uma nova visão sobre drogas é uma obrigação. E, além de encontrar esses candidatos em seu estado, o maconheiro militante deve ajudar divulgar suas candidaturas como for possível. Isso em relação a candidatos ao legislativo (deputados federais e estaduais), entre os quais temos mais opções, e onde é muito importante ter gente progressista batendo de frente com os moralistas que infestam as nossas casas legislativas.

Já para presidente…

Uma característica marcante do processo eleitoral brasileiro, em especial nas grandes candidaturas à presidência, é o sequestro da pauta política pelo conservadorismo. Em toda eleição os partidos conservadores e as igrejas impõem suas pautas, e praticamente proíbem qualquer discussão sobre temas como Aborto, Casamento Homoafetivo e Drogas a todos os candidatos.

Se no primeiro turno temos opções de candidatos que já se declararam a favor da legalização, como Luciana Genro (PSOL), Zé Maria (PSTU) e Eduardo Jorge (PV). Mas, num provável segundo turno, a coisa complica.

Se você reparar vai ver que os três principais candidatos a presidente seguem um discurso muito semelhante, de que "o Brasil não está pronto" para legalizar. Como se estivéssemos prontos para mais décadas de guerra às drogas.

Por isso, fica o alerta: procurem bem e apoiem candidatos a deputado que façam avançar a nossa luta. Dos candidatos a presidente, não dá pra esperar avanços, mas podemos ter retrocessos. Tem gente que já recebeu de braços abertos do que há de mais conservador no País, se comprometeu com endurecimento de penas, fortalecimento da guerra às drogas… Olho aberto!

Não é porque um candidato tem histórias relacionadas com drogas ou tem em seu partido gente que defenda a legalização que será a melhor opção. Mesmo num contexto desses, é melhor ter na presidência quem tenha o mínimo de abertura para fazer este debate que, tomara, começará a ser travado com mais força na Câmara Federal a partir do ano que vem!

Resumindo: Foco nas eleições pra deputado, e muito cuidado no voto pra presidência!



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