Após 4 meses, mãe recebe remédio à base de maconha para tratar o filho

Clipadão

hempadao 7 janeiro, 2015

Liminar obrigou o governo de Goiás a fornecer o Canabidiol para a criança.
Medicamento será usado por Pedro Henrique, 6, que tem paralisia cerebral.

Fonte: G1

Depois de quatro meses de espera, a assistente administrativa Patrícia Moreira dos Santos Pinho recebeu o medicamento Canabidiol (CDB), derivado da maconha, para tratamento do filho, de 6 anos, que tem paralisia cerebral e só se alimenta por sonda. Ela conseguiu que o governo de Goiás pagasse o remédio por meio de uma liminar na Justiça. O produto não é liberado para venda no Brasil, mas a mãe tem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).  “É uma dose pequena, mas que pode restaurar a vida do meu filho completamente”, acredita.

Patrícia conta que o remédio foi entregue na segunda-feira (5) e que agora tem uma nova esperança para o filho Pedro Henrique, que já chegou a sofrer até 50 convulsões por dia. “A primeira expectativa é de que ele zere as crises epiléticas e tenha um avanço na parte cognitiva, fique mais atento e consigamos retirar os outros antiepiléticos que ele toma”, disse.

O Canabidiol, principal composto do medicamento, é uma substância derivada da maconha. Diferente do tetraidrocanabinol (THC), princípio ativo da erva, o CBD não é psicoativo, não provoca sedação e não causa dependência. No remédio, apenas 1% do composto é THC e a esperança é de que ele ajude a controlar crises de convulsivas.

Além de Patrícia, Joana D´Arc de Oliveira, mãe de Felipe, 14, que também tem paralisia cerebral, foi beneficiada pela mesma liminar para receber o Canabidiol. O G1 tentou contato para saber se ela também recebeu as doses do medicamento, mas as ligações não foram atendidas até a publicação desta reportagem.

Esperança
Agora que recebeu o remédio, Pedro Henrique tomará as doses diariamente, durante o jantar. Ele se alimenta por sonda e o medicamento, diluído em óleo de coco aquecido, vai junto com a sopa. A mãe conta que recebeu da Secretaria Estadual de Saúde uma dose de 20 ml, suficientes para seis meses de tratamento.

Patrícia conta que o filho teve paralisia cerebral logo que nasceu. Ele já tomou dezenas de remédios vendidos no Brasil e no exterior, mas nenhum surtiu efeito contra as convulsões. Mesmo sabendo sobre as polêmicas envolvendo o uso do Canabidiol, ela acredita que agora poderá sonhar com um futuro melhor para o menino.

“Primeiro, quero ver meu filho sem sofrimento e, depois, ver ele mais atento, mais acordado, e quem sabe com isso eu consiga alimentá-lo pela boca, sem precisar de uma sonda para isso. Espero que ele tenha uma vida um pouco mais próxima do normal”, afirma a mãe.

Processo
O processo para conseguir a autorização da Anvisa para liberar a exportação do medicamento e que a Justiça obrigue o governo a custeá-lo durou seis meses,  de acordo com Patrícia e Joana.
O primeiro passo foi conseguir uma prescrição médica para que a Anvisa liberasse a importação do medicamento. “Demoramos três meses para conseguir essa receita. Por questões éticas e legais, o médico só aceitou prescrever o Canabidiol porque era a última opção para o meu filho”, contou Patrícia.
Depois dessa prescrição, a mãe de Pedro reuniu laudos médicos comprovando a gravidade da condição de seu filho e entrou com o pedido no Anvisa para que fosse liberada a importação do Canabidiol. Por fim, após a liberação da agência, Patrícia procurou a Justiça para conseguir que o medicamento fosse custeado pelo Estado. As decisões favoráveis às mães foram expedidas pela Justiça de Goiás no final de setembro.



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