Antropólogo uruguaio de 94 anos publica estudo sobre a maconha

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hempadao 2 outubro, 2014

Fonte: Yahoo!

Montevidéu, 30 set (EFE). – O movimento que surgiu nos últimos anos para legalização da maconha e seu modo atual de consumo são analisados pelo antropólogo uruguaio Daniel Vidart, de 94 anos, no livro "Marihuana, la flor del cáñamo", que será apresentado amanhã em Montevidéu.

A obra, ainda sem tradução para o Brasil, será apresenta na 37ª edição da Feira do Livro de Montevidéu e tenta diminuir a "ignorância" existente entre a população sobre uma planta que foi usada durante milhares de anos, explicou à Agência Efe Vidart.

O autor comparou a proibição da maconha com a da erva-mate quando os jesuítas chegaram ao Uruguai ou com a do café na Rússia há alguns séculos, onde "se cortava o nariz e as orelhas daqueles que o consumiam".

O antropólogo assegurou que, na história, personagens como o empresário americano Randolph Hearst – o "Cidadão Kane" do filme – influenciaram para que ela se tornasse ilegal, dado que fizeram pressão ao considerar que prejudicava seus negócios.

O trabalho de Vidart demorou nove meses. Nesse tempo, viajou por Argentina, Chile e Uruguai, participou de reuniões de fumantes e, inclusive, consumiu para assegurar-se dos efeitos.

"Eu nunca fumei antes, mas, como antropólogo, tive que fazer todos os testes possíveis, entre eles, experimentá-la, embora tenha me provocado apenas um leve enjoo ao caminhar. Nem gargalhada, nem loucura, nem sonho, como ocorre em outros casos", explicou.

O autor ressaltou que o cannabis é um tabu, entre outros motivos, porque é considerada como a substância com a qual os jovens iniciam o consumo de outras drogas, como o crack ou a cocaína.

"Mas na minha pesquisa pude ver que não é uma droga associada às classes baixas, pois, na clandestinidade, fumam advogados, médicos ou colegas antropólogos", acrescentou.

O papel da maconha no âmbito da criação cultural também foi destacado pelo escritor, que citou como exemplos os artistas surgidos do movimento rastafari e da contracultura da década de 60 nos Estados Unidos.

Ele destacou o ativismo em defesa de sua descriminalização surgido nos últimos anos, que é capaz de juntar milhares de pessoas em mobilizações. Para ele, a lei uruguaia que regulariza sua compra e venda e sua plantação doméstica, aprovada em dezembro de 2013, "abre as portas e as janelas" para que os fumantes abandonem o secretismo com o qual até agora consomem o cannabis. EFE



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