Adeus, Alexander Sasha Shulgin! [Portas da Percepção Ed. #275]

Portas da Percepção

hempadao 6 junho, 2014

por Jean Lefebvre

Faleceu nesta segunda feira, aos 88 anos, por conta de um câncer no fígado, o químico americano Alexander Shulgin, conhecido como o "padrinho do ecstasy", uma das drogas que redescobriu e explorou entre muitas outras. "Sasha faleceu” na segunda-feira, depois da meia-noite, "cercado da família, daqueles que cuidaram dele e com música de meditação budista", declarou, em mensagem no Facebook, sua esposa Ann Shulgin, segundo quem o marido morreu "em paz".

Shulgin serviu a marinha e em 1954 se formou em bioquímica na universidade de Berkeley (Califórnia). No final dos anos 50 e no começo dos anos 60, Shulgin participou de trabalhos envolvendo psiquiatria e farmacologia na universidade de São Francisco, trabalhou brevemente como diretor de pesquisas na empresa "Biorad Laboratories" e depois como químico de pesquisa sênior na empresa Dow Chemical Co. Em 1960, Sasha experimentou mescalina pela primeira vez, então, começou a experimentar e sintetizar substâncias com estruturas moleculares parecidas com a da mescalina, tais como DOM, 2c-b, 2c-e. Sasha Shulgin sintetizou o MDMA pela primeira vez em 1965, porém não experimentou nesta época. Lembrando que o MDMA já havia sido sintetizado em 1912 pelas empresas Merck porém foi abandonado (não houve testes com humanos). Em 1976, um dos alunos de Sasha o contou sobre os efeitos do MDMA, Sasha ficou empolgado e logo sintetizou um pouco da substância, a qual começou a fazer testes consigo mesmo, descobrindo que o composto químico possuía diversas qualidades. Em 1977 então, foi que Shulgin introduziu o material a Leo Zeff, um psicólogo de Oakland que trabalhava com psicoterapia assistida de substâncias psicoativas. Zeff apresentou o composto a dezenas de terapeutas e o MDMA ficou famoso rapidamente nas ruas. A mulher de Sasha, Ann Shulgin, também era terapeuta e conduzia sessões com MDMA antes da proibição do composto (1985).

Desde então, Sasha sintetizou e testou centenas (estimam-se que foram 200) de compostos psicoativos, contando seu trabalho e suas experiências em 5 livros diferentes e mais de 200 artigos. Sasha sempre foi muito importante na cultura da droga e da "psicodelia", estava presente em diversas convenções importantes, dando palestras e entrevistas, e tentando explicar a relação que a ciência tem com o modo como a mente humana se comporta.



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