A marcha fúnebre prossegue!

Chapa2

hempadao 6 outubro, 2015

por Tales Henrique Coelho

50% dos brasileiros concordam que “Bandido bom é bandido morto”, mostra pesquisa do Datafolha. 45% discordam da frase preferida de 11 entre 10 Bolsonaretes e 5% ficam em cima do muro.

Ou seja, já há hoje no Brasil uma hegemonia do pensamento que acredita que mais violência vai trazer a paz. Gente de todo canto parece querer regredir para a lei do “olho por olho, dente por dente”.

Não por acaso, essa lei que está contida no argumento do “bandido bom é bandido morto”, remonta ao ano 1700 antes de Cristo. 

Para metade do País, a solução é regredir alguns milênios. Acreditar que a barbárie vai, de alguma forma louca, nos salvar. Que a polícia tem que partir pra cima, executar, forjar flagrante mesmo.

Talvez a culpa seja de uma geração que assistiu demais a filmes do Rambo, 007 e outras baboseiras.

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No mundo real as coisas não vão se resolver assim

O que pouca gente lembra é que o “bandido bom” pode ser qualquer um, em especial aqueles “matáveis” – muitos dos quais até concordam com a famigerada frase – que lotam os presídios e necrotérios.

Não são poucos os casos em que a polícia – empurrada pela turma do ‘pra cima deles’ – atira antes de perguntar e mata inocentes.

Aí boa parte desses mesmos 50% vai se indignar, alguns soldados acabam afastados, às vezes até presos. Mais alguns ‘casos isolados” e seguimos dando murro em ponta de faca.

No próximo arrastão, todos estão achando que “tem que matar” de novo.

E assim vai o Brasil, de chacina em tiroteio, sem conseguir avançar de verdade no debate.

Sem discutir de verdade a guerra às drogas, suas complexas relações com a mal resolvida escravidão tão recente, a brutal desigualdade neste país, e o resultado disso para o que chamamos de “segurança pública”…

A marcha fúnebre prossegue…

 



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