A Luta Continua – Conexão Brasil Panamá!! [REeDUcaÇÃO #21]

REeDUcaÇÃO

hempadao 23 março, 2013

por Guilherme Storti

Salve, salve á tod@s.

Semana passada estive na Cidade do Panamá para participar de um workshop muito interessante sobre a acessibilidade de populações chaves ao tratamento de HIV em diferentes países da América latina, essas populações são: homens que fazem sexo com homens, prostitutas e usuários de drogas.

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Representando o Brasil estava eu, a Lourdes, que é uma liderança entre as prostitutas do estado do Pará e também de âmbito nacional e o Pedro, que além de participar também foi um dos facilitadores do workshop trazendo informações muito valiosas sobre os processos de patentes.

Estar esses oito dias no Panamá fizeram com que eu voltasse ao Brasil com diversas percepções de como atua a nossa política de saúde no que diz respeito ao tratamento com usuários de drogas.

Assim como no Equador e Costa Rica, os outros países presentes no workshop, o usuário de drogas não recebe nenhum tipo de assistência humana e digna do Estado, e muito mais grave que isso é a ausência de políticas públicas eficientes no que diz respeito à atenção a essa população.

Atualmente no Brasil a política que está sendo implementada para os usuários de drogas é a política de internação compulsória, que basta apenas olhar para as imagens que as ações dessa política nos proporcionam, para ver o quanto ela é falha e inoportuna para o nosso atual debate em relação ao assunto.

Uma das minhas colocações durante o workshop foi a questão do acesso dos moradores de rua ao SUS, que hoje é praticamente negada em função da burocracia que envolve a retirada do cartão do SUS para que os cidadãos sejam atendidos na rede pública de saúde. Além de serem moradores de rua, ali também estão inclusos os usuários de drogas, homens que fazem sexo com homens e prostitutas, ou seja, uma parcela das populações chaves que foram colocadas nesse workshop têm sérias dificuldades de acessar ao tratamento de HIV pelo SUS.

Outro ponto crítico colocado foi a questão do tratamento que o nosso serviço de saúde dá aos usuários de drogas, mostrando que não têm o mínimo conhecimento de toda a problemática que envolve o uso de drogas e o quanto isso prejudica na adesão do usuário ao tratamento de HIV, pois a adesão e a continuidade são pilares fundamentais para que o individuo consiga ter uma vida digna durante o ciclo de seu tratamento.

Enfim, a proposta do workshop foi nos instruir a procurar mudanças na esfera política para que esses empecilhos de acesso ao tratamento sejam sanados e que tod@s, de fato, possam ter acesso ao tratamento de HIV, que no Brasil é de graça, mas ainda tem um alto custo quando comparado a outros lugares do mundo.

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Essa missão que foi dada a mim, a Lourdes e ao Pedro nos soa um pouco como o filme “Missão Impossível”, pois quem vive na luta pelas minorias sabe o quanto a política cada vez mais se afasta de proporcionar melhorias significativas nas vidas dessas populações.

O Brasil é um país muito diverso, amplo, com inúmeras identidades culturais e, acima de tudo, com bastante desigualdade. Levar representantes do Norte e Nordeste para o workshop, mesmo que sendo um acidente, serviu para mostrar o quanto essas regiões ainda estão bem atrás no quesito “ter uma vida mais digna” em relação às regiões sul e sudeste. Não que essas regiões não tenham problemas, mas aqui pra cima o negócio é muito mais complicado do que qualquer um de vocês, que não moram aqui, possam imaginar.

Quando coloquei a questão do nosso novo presidente da comissão de Direitos Humanos, os estrangeiros acharam que era uma piada, custaram a acreditar que o Brasil estava a este nível de retrocesso político e isso, além de outros problemas que foram colocados durante as atividades, deixou a comunidade latino americana bem preocupada com os rumos que o Brasil vem tomando dentro da política, pois isso vai refletir muito nas populações chaves que estávamos tratando durante o evento.

Enfim, apesar da missão “quase” impossível, voltamos ao Brasil com o olho mais atento à esse problema em relação aos HIV’s e o norte mostra que uma possível solução para a nossa atual, e desastrosa, política de drogas pode estar neste componente que pouco se discute dentro dos debates acerca dos usuários de drogas.

Muitos planos e perspectivas nasceram nessa viagem, agora é preciso ter força mais do que qualquer outra coisa para poder superar às barreiras que constantemente são colocadas no nosso caminho.

Grande abraço à tod@s.

A luta continua, mais árdua do que nunca!



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